Endometriose: a doença que afeta 7 milhões de mulheres no Brasil

edijane|2018-05-08

Quando a advogada Cristiane Sampaio, 34 anos, de Salvador, desmaiou durante um expediente de trabalho, foi levada ao hospital e, devido às reclamações de dores no abdômen, foi submetida a um ultrassom.

A doença é apontada por especialistas como a principal causa de infertilidade. Na luta por um diagnóstico, muitas de nós chegam a sofrer anos sem saber

Quando a advogada Cristiane Sampaio, 34 anos, de Salvador, desmaiou durante um expediente de trabalho, foi levada ao hospital e, devido às reclamações de dores no abdômen, foi submetida a um ultrassom. Logo depois, recebeu a notícia de que estava grávida. Mas ela sabia que havia algo errado naquele diagnóstico, pois seus únicos sintomas, além das dores, eram um inchaço incômodo no abdômen e TPM. Então insistiu que houvesse uma investigação mais aprofundada de sua condição.

Resultado: o “bebê” que os médicos acharam ter visto no ultrassom, na verdade, eram dois cistos na região do útero, um do tamanho de uma manga e outro de uma laranja. Já o desmaio foi provocado pela imensa dor. E foi assim que a advogada descobriu sofrer de endometriose.

A doença ocorre quando o endométrio, tecido que recobre a face interna do útero, aparece fora da cavidade uterina e pode se instalar na parte de trás do útero, nos ovários e no abdômen, causando cólicas fortes. “Em casos mais graves, é capaz ainda de afetar outros órgãos, como a bexiga ou o intestino”, afirma a ginecologista Rosa Neme, do Centro de Endometriose São Paulo. A endometriose afeta cerca de 7 milhões de mulheres em fase reprodutiva no Brasil e é apontada como a principal causa de in fertilidade no sexo feminino, segundo dados da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo). Contudo, pouco se fala sobre ela nos consultórios médicos.

SENTIR DORES NÃO É NORMAL

Cólicas menstruais incapacitantes, como as que Cristiane sentia desde sua menarca, são sinais de alerta. Mas não era isso que ela ouvia dos médicos quando buscava ajuda, desde a adolescência. Como consequência, precisou desmaiar de dor e lutar por um diagnóstico correto.

A demora enfrentada por Cristiane é mais comum do que deveria. Quando o assunto é endometriose, cada mulher pode ter experiências e tratamentos diferentes, mas há sempre um fator em comum: anos de sofrimento até descobrirem o que há de errado com elas. “O diagnóstico da doença pode levar até sete anos — e não porque os exames sejam lentos, mas porque o problema começa ainda nos consultórios”, afirma o ginecologista Patrick Bellelis, diretor executivo da Sociedade Brasileira de Endometriose (SBE) e membro do Conselho Nacional de Endometriose da Febrasgo.